quinta-feira, 28 de junho de 2012

A FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DE GÊNERO: DO PASSADO HISTÓRICO AOS DIAS ATUAIS

Narciso Mauricio dos Santos**

UMESP – Universidade Metodista de São Paulo

NEPEF – UNESP/Rio Claro/SP



Formar profissionais para a Educação é um assunto polêmico e estudado por muitos autores (as), dentre eles (as), Alarcão (1996), Fischmann (1986), e Gatti (1997), onde expõem direcionamentos para a proposta nos seus conteúdos.

 

Também indicam necessidades emergentes pensando na formação de um profissional de caráter amplo, pleno domínio e compreensão da realidade do seu tempo, com tendências a uma consciência crítica reflexiva, permitindo interferir significativamente, transformando situações inusitadas na escola, no cenário educacional, e na sociedade.

 

Sendo assim, a formação profissional do professor, deve possibilitar de forma geral e especifica, seu desenvolvimento como pessoa, profissional e cidadão.

 

Para a formação em Educação Física, tanto na licenciatura ou bacharelado, as relações de gênero que permearam esse campo durante seu trajeto até os dias atuais, denotam uma atenção redobrada, pois o processo se remetia numa estrutura de dois anos com ênfase nos aspectos biológicos e técnicos, ou seja, conhecimentos sobre o corpo humano e os relacionados às ginásticas e esportes, e isso, caracterizando a figura masculina como prioridade aos cursos.

 

Lentamente, estudos sobre gênero exigem descrições minuciosas e passam a incorporar explicações acerca do lugar e das relações de homens e mulheres numa sociedade, analisando não apenas seus sexos, mas tudo aquilo que socialmente se constrói com base nesses aspectos, e como isso pode interferir nestas construções sociais.

 

Considerando esses pressupostos, este trabalho de pesquisa tem como objetivos, investigar e contextualizar as questões de gênero que envolveu e direcionou a formação acadêmica de professoras de Educação Física, cada qual em seus cursos e épocas distintas.

 

Na busca de respostas e argumentos para esclarecer questões em torno da formação profissional e relações de gênero, a pesquisa foi realizada com professoras que lecionam Educação Física para a Educação Infantil, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II e Ensino médio.

 

Assim, priorizou-se entrevistar três de cada modalidade de ensino, totalizando doze, vinculadas a escolas estaduais e municipais da Baixada Santista/SP.

 

Nesta perspectiva, escolheu-se como procedimento metodológico o estudo descritivo com análise qualitativa através de entrevistas semi-estruturadas.

 

Portanto, considerou-se necessário analisar as concepções de gênero que conduziu a formação dessas professoras, pois acredita-se perpassar por um processo histórico e social.

 

Os Resultados demonstraram com base nos depoimentos, que as diferenças entre o masculino e o feminino sempre vão existir e não podem ser negadas, mas neutralizadas com ações formativas pedagógicas.

 

Daí a necessidade de uma formação acadêmica privilegiando tais anseios.

 

Constatou-se a necessidade de estudos relacionados às questões de gênero associando-os aos conteúdos da Educação Física na escola e em seus sub campos.

 

Observou-se também, a importância em fortalecer questões desse âmbito na formação acadêmica, principalmente para os cursos onde o ponto de partida e chegada é a área escolar.

 

Para finalizar, destaca-se deixar claro aos professores, de modo geral, em suas reflexões e habilidades, que as práticas educativas e o esporte dentro da escola como conteúdos, explicitam valores sexistas, neste caso prevalecendo à figura masculina, com isso, precisando urgentemente ser trabalhado nas reflexões após as aulas, onde a figura feminina se faça presente.

 

O convívio com o outro sexo é inevitável e muitas vezes essa relação é conflituosa e desigual, tanto por parte dos professores (as), como dos alunos (as), no entanto, não devem ser vistos como obstáculo.

 

Precisam vir à tona, ser discutidos de igual para igual, mesmo que as diferenças existam. Portanto, é preciso olhares atentos as questões ligadas ao gênero, principalmente no perfil formativo dos (as) novos (as) profissionais que atuarão no contexto da escola.













Palavras-chave: Formação profissional. Gênero. Professoras. Educação Física.


** Mestre em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo - UMESP, Licenciado em Educação Física/FEFIS-Santos/SP. Licenciado em Pedagogia FACEL - Don Domênico - Guarujá/SP. Especialisata em Recreação e Lazer - UNICLAR e Educação Física Adaptada - FMU - UFJF. Membro efetivo do NEPEF/UNESP de Rio Claro






Atualmente leciona da ETEC Adolpho Berezin - Mongaguá - Centro Paula Souza.

Secretaria Estadual de Educação - E.E. Pedro Paulo Gonçalvel Lopes - Praia Grande/SP


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lançamento do livro dos integrantes do grupo acadêmico de pesquisa NEPEF, vinculado a UNESP de Rio Claro/SP - II

A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEUS DESAFIOS:

Formação, Intervenção e Docência


Autor(es)


Dagmar Hunger (Org.)

Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 (Cnpq), orientadora no PPG em Ciências da Motricidade da Unesp, com Doutorado em Educação Física pela Unicamp (1998) e profa. Adjunta do Depto Educação Física da Unesp de Bauru.

Samuel de Souza Neto (Org.)

Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 (Cnpq), orientador no PPG em Ciências da Motricidade da Unesp, com Doutorado em Educação pela USP (1999) e Prof. Adjunto do Depto Educação da Unesp de Rio Claro.

Alexandre Janotta Drigo (Org.)

Orientadora no PPG em Ciências da Motricidade com Doutorado em Educação Física pela Unicamp (2007) e prof. do curso de Educação Física da FAM.

Adriano Pires de Campos

Mestrado em Ciências da Motricidade pela Unesp (2003), Docente da especialização Lato Sensu da Universidade Gama Filho.

Afonso Antonio Machado

Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2, orientador no PPG em Desenvolvimento Humano e Tecnologias da Unesp, com Doutorado em Educação pela Unicamp (1994) e Prof. Adjunto do Depto Educação Física da Unesp de Rio Claro.

Ana Célia Araújo da Silva

Mestrado em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo - UMESP  (2009). Docente de Faculdades Integradas Torricelli.

Camila Borges

Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2006). Professora de Educação Física da Escola Estadual Província de Nagasaki.

Danilo Di Manno de Almeida

Doutorado em Filosofia pelo Université de Paris X, Nanterre, França(1999). Professor titular da Universidade Metodista de São Paulo.

Evandro Antonio Corrêa

Coordenador do curso de Educação Física e professor da Faculdade Anhanguera de Bauru/SP, professor FAEFI-Barra Bonita/SP, Mestre em Ciências da Motricidade pela Unesp-Rio Claro.

Fernanda Rossi

Doutoranda em Ciências da Motricidade pela UNESP, Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2010).

Fernando Paulo Rosa de Freitas

Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2009). Professor de Educação Física do Estado de São Paulo.

José Carlos de Almeida Moreno

É professor do UNIFEB e FAFIBE, Doutor em Educação Física pela UNICAMP.

José Maria de Camargo Barros

Prof. Dr. Aposentado pelo Depto de Educação Física da Unesp de Rio Claro.

Juliana Cesana

Doutoranda em Educação Física na Unicamp, Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2005).

Juliana Frâncica Figueiredo

Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2009). Professora de Educação Física do Estado de São Paulo.

Larissa Cerignoni Benites

Doutoranda em Ciências da Motricidade pela UNESP, Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2007).

Luciene Ferreira da Silva

É professora da FC/UNESP/Bauru. Doutora em Educação Física pela UNICAMP.

Luiz Sanches Neto

Doutorando em Ciências da Motricidade pela UNESP, Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2007). é professor assistente da Universidade Guarulhos.

Marcelo Eugênio Vieira

Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2011). Professor de Educação Física de Águas de São Pedro.

Márcia Thereza Couto Falcão

Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 e Orientadora de Doutorado, Possui Doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco, Profa da Faculdade de Medicina da USP.

Maria Cecília L.M. Bonacelli

Doutorado em Educação Física pela Unicamp (2004). Profa da Faculdade Claretianas - Campus Batatais.

Mariana Lolato Pereira

Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2007). Professora de Dança do Ventre do Compasso Centro de Danças.

Mellissa Fernanda Gomes da Silva

Doutoranda em Ciências da Motricidade pela UNESP, Mestre em Ciências da Motricidade pela UNESP (2009). Professora da Universidade Anhanguera.

Narciso Mauricio dos Santos

Mestrado em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo - UMESP, Brasil (2010). Professor de Educação Física do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza e Secretaria Estadual de Educação - Diretoria de Ensino de Sâo Vicente/SP.  Professor Universitário do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Alfa - Praia Grande/SP.

Sara Quenzer Matthiesen
Orientadora no PPG em Desenvolvimento Humano e Tecnologias da Unesp, com Doutorado em Educação pela Unesp (2001) e Profa. do Depto Educação Física da Unesp de Rio Claro.






                                                                    Prof. Narciso




Por Narciso Mauricio dos Santos 15/12/2011






































































Lançamento do livro dos integrantes do grupo acadêmico de pesquisa NEPEF, vinculado a UNESP de Rio Claro/SP - I


Pesquisadores do grupo acadêmico do Núcleo de Estudos e Pesquisas no Campo da Formação Profissional em Educação Física - NEPEF / UNESP-RC lançam livro referente aos trabalhos que desenvolvem ao longo dos estudos.

A organização da edição ficou por conta de:

Dra. Dagmar Hunger (UNESP-Bauru)
Dr. Samuel de Souza Neto (UNESP-Rio Claro)
Dr. Alexandre Janotta Drigo (UNESP-Rio Claro)

 
Sinopse

A efetiva interação entre os saberes disciplinares e os campos de atuação profissional é constantemente questionada no universo acadêmico como um sério problema a ser superado nos cursos de formação inicial.

Nesta perspectiva, este livro apresenta reflexões sobre a Educação Física nos contextos de identidade, formação e docência, assim como nos desafios das áreas de estudo e dos espaços de intervenção da área.

Para tanto reúne pesquisas oriundas de dissertações e teses de membros do grupo NEPEF (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física), defendidas nas principais Universidades brasileiras destacando-se a UNESP de Rio Claro e UNICAMP, das quais extraíram-se os presentes textos que, de forma não fragmentada e partindo de uma construção orientada, apresentam debates, metodologias e interações entre a área de formação e intervenção no campo de trabalho em educação física, nas suas diversas manifestações: docência, esportes, ginástica, lutas e artes marciais, dança e lazer.


O livro esta disponível no site da editora CRV


Por Narciso Mauricio dos Santos 15/12/2011


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A dança no contexto do ensino médio: explorando os movimentos expressivos e a co-educação **

Narciso Mauricio dos Santos *

ETEC Adolpho Berezin – Mongaguá

ETEC Dra. Ruth Cardoso – São Vicente





O presente trabalho tem como pretensão atender duas importantes vertentes quando tratamos da cultura corporal de movimentos na Educação Física escolar para o ensino médio que são: desenvolver e explorar práticas educativas com os alunos e alunas, onde as ações perpassam pelos movimentos expressivos através da dança e a promoção de estratégias para aulas co-educativas partindo do desenvolvimento desses movimentos. Para a primeira vertente, entende-se que o conteúdo da dança precisa sim ser explorado, porém isso acaba sendo negligenciado por alguns professores (as) tendo em vista os saberes adquiridos em suas formações acadêmicas e profissionais. No que diz respeito à promoção de estratégias para aulas co-educativas, neste caso, a proposta provoca e/ou promove momentos onde as vivências de movimentos expressivos precisam ser uma prática conjunta experienciados por meninos e meninas. A Justificativa para a realização do trabalho em evidência esta pautada em oferecer mais uma oportunidade aos alunos da Etec Adolpho Berezin – Mongaguá de experimentar os conteúdos da dança como uma das formas elementares do movimento expressivo, onde o corpo humano pode expressar, comunicar e transformar uma realidade através da arte e do movimento. Os objetivos que se pretende com o trabalho ao longo do ano letivo tem como foco, apresentar os conteúdos da dança como mais uma proposta da Educação Física dentro da escola e provocar momentos de compreensão e transformação entre meninos e meninas com vistas na promoção da igualdade de gênero e formação do cidadão. Baseado nas premissas destacadas como objetivos, a metodologia para o desenvolvimento das ações parte da experimentação ou pesquisa experimental, sendo que neste caso, Chizzotti (2003, p.28) destaca que o método de comprovar conhecimentos pela experimentação provocada é uma etapa comum em ciências físicas e naturais. Consiste na observação, manipulação e controle do efeito produzido em uma dada situação. As realizações das ações estão destacadas nas bases tecnológicas dos planos de aula de todos os anos do ensino médio e estão sendo trabalhadas no decorrer do ano letivo de 2011 tendo em vista que também já foram vivenciadas em anos anteriores em outras instituições de ensino do Centro Paula Souza. Os resultados apresentados até o presente momento destacam através dos relatos dos alunos (as) nas avaliações, que a partir da disponibilidade corporal lúdica, consegue-se a apreensão de variadas habilidades e competências de execução diferenciada e com diferentes expressões de determinados tipos de danças sem proporcionar ênfase nas técnicas formais e sem deturpar o seu verdadeiro sentido.



Palavras-chave: Cultura Corporal. Dança. Movimento. Experimentação. Co-educação.

Site: http://www.cpscetec.com.br/ceteccap/capacitacoes/capacitacaover.php?id=ODc3

* Mestre em Educação - UMESP/SP
   Pós-Graduado em Recreação e Lazer - UNICLAR - Batatais/SP
   Licenciado em Pedagogia - FACEL Don Domênico - Guarujá/SP
   Licenciado em Educação Física - FEFIS /Universidade Santa Cecília dos Bandeirantes - Santos /SP 
Professor de Educação Física das instituições em destaque  

** Título de pesquisa apresentada como comunicação oral no Encontro Interdisciplinar Artes e Educação Física: Dança na Escola,  organizado pela Coordenadoria do Ensino Técnico do Centro Paula Souza sob coordenação de Carolina Marielli (Artes) Elaine Regina Piccino Oliveira (Educação Física). O evento teve como carga horária 8h/a, realizado no dia 23 de agosto de 2011, das 08:30 às 16:30 nas acomodações da Etec Martin Luther King, cito a Rua: Apucarana, 815 - Tatuapé - São Paulo . Metró Carrão

É possível reinventar a Educação Física escolar e as práticas educativas ? *


Narciso Mauricio dos Santos**




O questionamento deu-se a partir da necessidade em ministrar aulas de Educação Física Escolar considerando a realidade observada: falta de espaço físico, materiais e a resistência dos alunos em detrimento ao modelo esportivista presente na escola. Os objetivos do estudo pautaram-se em reinventar práticas educativas como possibilidade de ir além do cenário encontrado e ter coerência entre o que pensamos fazer e o que realmente realizamos. A pesquisa de campo foi realizada na Escola Estadual Senador Casemiro da Rocha, Ribeirão Pires/SP, com alunos do ensino fundamental 5ª a 8ª séries e apóia-se na LDB 9.394/96, artigo 26 parágrafo 3º, onde afirma que “a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica...” e o item IV do decreto 69.450/71, onde direciona e regulamenta o uso do espaço para atividade física.  Sendo assim, perceberam-se algumas incoerências em relação aos documentos, primeiro que obriga e segundo que limita. O procedimento metodológico utilizado pautou-se em estudo de caso na modalidade qualitativa com base em Yin (2001) que prioriza observação detalhada do contexto. Partindo dessas considerações, pensou-se na reinvenção das práticas de maneira lúdica, divertida e prazerosa, propondo aos alunos a percepção da consciência corporal, descobrindo naturalmente as habilidades e potencialidades, mesmo diante do espaço limitado. Alternativas foram criadas, atividades desenvolvidas e contextualizadas antes das práticas, onde, precisavam entender o propósito das ações e realizá-las dentro do contexto e necessidades. Os resultados foram transcritos pelos alunos na forma de relatos após observações. Concluiu-se que a pesquisa contribuiu na socialização dos pares, revelou a presença feminina, fortaleceu a participação dos excluídos do contexto do esporte, confirmando que o componente curricular transcende os limites da quadra esportiva, desvelando manifestações em detrimento a cultura do movimentar-se.


** UMESP – Universidade Metodista de São Paulo/SP - Brasil
Mestrado em Educação – Linha de Formação de Educadores

Orientação: Profa. Dra. Jane Soares de Almeida – UMESP/SP

Dados Bibliográficos:
ISSN 1981 - 8564 -Volume 3 nº 3, p.32. Setembro de 2009.

- Título do trabalho de pesquisa apresentado no III CONEF - Congresso Nacional de Educação Física - UNESP - Bauru/SP , no período de 21 a 25 de setembro de 2009. Tema do evento: "Expandindo e integrando conhecimentos científicos".
 Maiores e  observações ver site:
http://www.conef.com.br/ 
(link trabalhos).

quinta-feira, 3 de março de 2011

Para socióloga, professoras enfrentam baixo reconhecimento da sociedade

03/03/2011 - UOL Educação




Por Simone Harnik

Da Redação do Todos Pela Educação*

Adaptação realizada por Narciso Mauricio dos Santos  


Personagens comuns na trajetória educacional de todo brasileiro, as professoras são maioria absoluta no magistério e enfrentam, dia a dia, dificuldades que vão de problemas na infraestrutura escolar à violência na sala de aula. Mas essas profissionais, que precisam de formação aprofundada e permanente, não têm a valorização que deveriam ter, afirma a socióloga e professora da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) Magda de Almeida Neves.




Para ela, historicamente, "a sociedade identifica o trabalho da professora com o de uma mãe e, para ser atenciosa, delicada, meiga, de acordo com os valores culturais, não é preciso qualificação profissional". "Tudo isso contribui para o baixo reconhecimento do papel da professora", afirma. Veja abaixo a entrevista que a docente concedeu ao Todos Pela Educação:

Todos Pela Educação - Por que o magistério é composto, principalmente, por mulheres?




Magda de Almeida Neves - Historicamente e culturalmente, ser professora tinha um valor muito acentuado na sociedade, porque era como ser mãe. Cuidado, atenção, delicadeza com os filhos eram qualidades que a sociedade esperava encontrar nas professoras. Isso levou muitas mulheres ao magistério. Eram elas que realizavam a maior parte das tarefas domésticas e cuidavam da Educação dos filhos. Ser professora conjugava esses elementos que fazem parte da esfera reprodutiva.



TPE - Isso ocorreu até qual época?

Magda - Mais ou menos até os anos 1970. A partir daí, aumentou a presença da mulher no mercado de trabalho. Nos anos 1980, as mulheres eram 18% no mercado de trabalho no Brasil. Em 2007, esse percentual subiu para 52,4%. As mulheres começaram a entrar em outras profissões e se tornaram engenheiras, arquitetas, médicas, juízas.






TPE - Mas o magistério se manteve na mão das mulheres?

Magda - Sim. Algumas profissões permaneceram com essa característica feminina. São o que chamamos de guetos femininos no mercado de trabalho. Os lugares tradicionais das mulheres são o das professoras, enfermeiras, secretárias, recepcionistas. E os salários nessas profissões são baixos, porque a remuneração da mulher sempre se deu pelas "qualidades femininas" exigidas nas funções e como complementação à renda familiar.





TPE - A senhora acredita que os baixos salários dos professores podem ter sido influenciados por esse fator?

Magda - Sim. O salário do professor pode estar influenciado, porque a sociedade identifica o trabalho da professora com o de uma mãe e, para ser atenciosa, delicada, meiga, de acordo com os valores culturais, não é preciso qualificação profissional. Tudo isso contribui para o baixo reconhecimento do papel da professora. Mas, por outro lado os governos brasileiros ainda não estabeleceram como prioridade nas políticas públicas o investimento que a Educação necessita.



TPE - Como podemos mudar esse cenário?

Magda - Em primeiro lugar, tem de haver, cada vez mais, uma mudança nos valores culturais da sociedade. Nos últimos anos, a mulher conseguiu adquirir uma Educação formal maior que a dos homens e vem se qualificando e profissionalizando. Apesar da permanência de alguns “guetos femininos” no mercado de trabalho, a mulher vem conseguindo se impor e romper barreiras. É preciso haver o reconhecimento por parte do estado e das empresas educacionais, do papel da Educação, que é de fundamental importância para o desenvolvimento do País.

Apesar dos esforços nos últimos anos, ainda falta muito para se valorizar dignamente a Educação no Brasil. Se olharmos os salários dos professores, hoje, eles são baixíssimos com relação a outras profissões. Como exigir qualidade de um profissional que tem de enfrentar uma série de dificuldades e se envolver com o processo educacional com salário tão baixo?





TPE - A senhora acredita que as famílias reconhecem que a professora também exerce uma jornada em casa, muitas vezes, como mães?

Magda - Há muito pouco reconhecimento desse duplo papel da professora. Os pais, com toda razão, querem uma boa Educação para seus filhos. Por outro lado, as professoras enfrentam um cotidiano pesado, muitas obrigações e baixos salários. E as que são mães também querem que o filho tenha uma boa Educação.



TPE - Por que a proporção dos professores homens cresce no Ensino Médio?

Magda - Porque, nessa etapa, começam a ocorrer salários mais altos e a função não é vista como feminina, pois segundo os padrões do mercado, se exige mais qualificação profissional. Os homens, em geral, procuram funções mais lucrativas. Como o salário do professor ainda é muito baixo, as mulheres acabam aceitando essa tarefa, no ensino fundamental. Isso vem mudando devagar, na medida em que os homens começam a assumir as tarefas em casa, o que era exclusividade das mulheres. Entretanto, mesmo exercendo tarefas iguais, as mulheres ainda ganham 70%, do que os homens ganham.



TPE - Como é a situação em outros países?

Magda - Em países que priorizam a Educação, como a França, o ensino não é exercido só por mulheres. Existe uma forte presença masculina em todos os níveis educacionais.



TPE - A senhora acredita que a presidência na mão de uma mulher (Dilma Rousseff) pode ajudar a mudar esse quadro?

Magda - Tenho a maior esperança. Acho que o Brasil deu um passo importante para o fortalecimento da democracia, apostando na continuidade das políticas sociais e, pela primeira vez na história do País, escolheu uma mulher para a Presidência da República. E, a presidenta tem reforçado sempre nos seus discursos, o combate à miséria e a importância do investimento na Educação, em todos os níveis.



*O Todos Pela Educação é um movimento que congrega a sociedade civil, educadores e gestores públicos pela exigência de uma educação básica de qualidade para crianças e jovens.



Fonte:

http://noticias.bol.uol.com.br/educacao/2011/03/03/para-sociologa-professoras-enfrentam-baixo-reconhecimento-da-sociedade.jhtm






BRASIL: 8 EM 10 PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA SÃO MULHERES.

Por Simone Harnik




Da Redação do Todos Pela Educação*


Adaptado para o blog por Narciso Mauricio dos Santos
















As mulheres compõem 81,5% do total de professores da educação básica do país. Em todos os níveis de ensino dessa etapa, com exceção da educação profissional, elas são maioria lecionando. De acordo com dados da Sinopse do Professor da Educação Básica, divulgada pelo MEC (Ministério da Educação) no fim de 2010, existem quase 2 milhões de professores, dos quais mais de 1,6 milhão são do sexo feminino.


Esse percentual pode ser explicado historicamente, como aponta a socióloga Magda de Almeida Neves, da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Segundo ela, a sociedade brasileira associa a função do professor a características geralmente consideradas femininas, como a atenção, a delicadeza e a meiguice.

• Para socióloga, professoras enfrentam baixo reconhecimento da sociedade

• Para você, o magistério é um ofício feminino?



Esses predicados são comumente associados aos de uma mãe e, para possuí-los não é necessário qualificação profissional. Com isso, os salários do magistério podem ter sofrido impactos, se desvalorizando frente a outras profissões e fazendo com que a Educação permaneça como um "gueto feminino no mercado de trabalho", nas palavras de Magda.



Divisão nos níveis de ensino



Nas creches, as mulheres ocupam 97,9% das vagas de professor – isso significa que, a cada cem docentes, apenas dois são homens nessa etapa. Por outro lado, na educação profissional (o ensino técnico), as mulheres perdem para os homens em número: elas são 45,8%.

Só no ensino fundamental a população de professoras soma mais de 1,1 milhão – um total que equivale praticamente à população total de Roraima e do Amapá juntas.





Concentração nas etapas iniciais



As mulheres estão em maior proporção nos anos iniciais da educação de uma criança. Conforme as etapas de ensino vão avançando, mais homens passam a lecionar. Isso acontece, segundo Magda, sobretudo porque, no decorrer do ensino formal, diminui a associação do magistério com uma função essencialmente feminina e os salários também se elevam.



*O Todos Pela Educação é um movimento que congrega a sociedade civil, educadores e gestores públicos pela exigência de uma educação básica de qualidade para crianças e jovens



Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2011/03/03/brasil-8-em-10-professores-da-educacao-basica-sao-mulheres.jhtm